1- Porque eu também me rendi à essa banda. E essa música é linda.
2- Porque o Dia dos Namorandinhos está aí. E precisa de trilha sonora, né? Ficaadica.
3- Só me deixe quando o lado bom for menor do que o ruim ♫ ♪
Sempre 09/06/2011
Sobre Kate Nash e gaivotas 28/02/2011
Eu odeio acordar cedo e bad hair day. Odeio cogumelos e encontrar coisas na minha comida que não deveriam estar lá. Eu odeio feriados que caem na quarta, banho frio e esquecer de coisas importantes. Odeio pessoas que não cumprimentam e as que não dão seta no trânsito. Eu odeio morder o lábio e queimar a língua com comida quente (freqüente). Eu odeio quando mudam minhas coisas de lugar (toda semana). Odeio quando salada é a única opção vegetariana no restaurante e quando eu borro o esmalte nos primeiros 2 minutos depois de passar. Eu odeio minha completa falta de senso de localização geográfica, quando eu acho que as pessoas estão tristes por minha causa e quando me apressam pra fazer algo.
Eu adoro dias de outono e suco de tangerina. Adoro filmes antigos, livros antigos, cheiro de livros antigos e máquinas fotográficas antigas. Eu adoro milkshake de morango, queijo e café da manhã. Adoro enrolar na cama de manhã e dormir de conchinha. Adoro trecos de decoração esdrúxulos e ler de madrugada. Eu adoro brigadeiro e o frio na barriga que dá quando o avião decola. Adoro passeio em museu e achar o presente perfeito pra alguém.
[eu adoro o fato de você sempre aprovar minhas roupas e meu corte de cabelo, adoro seus olhos e mais uma porção de coisas sobre você.]
Amarelo 04/02/2011
Percorreu a estrada de terra batida a passos largos em direção à Rua da Santa Desatadora, 146. O sol alto brilhava com força e açoitava os ombros , o suor banhava suas têmporas e o cabelo por debaixo do chapéu, que lhe grudava na testa. Crianças muito sujas empinavam pipa aos berros, ele mascava um fio de trigo arrancado entre os muitos que compunham a paisagem (era trigo por todos os lados) e os homens que passavam a cavalo não tiravam o chapéu para quem quer que fosse – gente mal-educada, pensou. Algumas mulheres bem fornidas, feias e despenteadas às vezes apareciam nos portões para espiar suas crianças ou apenas para admirar os transeuntes e expor o charme que não possuíam, mas seus pés não se detiveram nem por um instante.
Parou em frente ao portão de ferro enferrujado que ladeava a casinha de tijolos. Uma casinha que ele imaginava, com muita ironia, poder ser derrubada com extrema facilidade pelo Lobo Mau. Porém, nem era para tanto – a maioria das casas se ia com a chuva. Ele olhava para o número da casa pregado muito frouxamente ao lado da campainha, e quase não se deu conta da criaturinha sentada nos degraus que davam para a porta de entrada. A menina devia ter uns sete anos, morena, com os cabelos muito pretos, compridos, embaraçados e sujos, como tudo que havia naquele local. Chupava uma manga enorme e amarela, cujo suco se espalhava não só pelos lábios, mas também pelo rosto e pingava por entre seus dedos. Encarava o visitante com um par de olhos grandes e verdes, daqueles que brilham como pedras preciosas. Uns olhos meio de demônio, lhe pareceram. Ela olhava e esperava.
– Cadê a tua mãe? – perguntou o homem.
– Que que tu quer com ela? – e seus olhos cintilaram de malícia quando grudaram nele.
– Não é da tua conta, pirralha.
Sua paciência para com crianças nunca fora das melhores, e ele não estava em um de seus melhores humores. Na verdade, em geral, era neste estado de ânimo em que ele costumava aparecer por ali. A menina lhe respondeu com um palavrão tão baixo que quase o fez abrir o portão e ir lhe dar um safanão na fuça pelo desrespeito. Gata insolente, vira-latas sem modos, pensou, em uma sequência de xingamentos. Tem os olhos do capeta e a boca suja de um marinheiro. Ele então puxou o ferrolho do portão com cautela, como se para não espantá-la, mas a menina permaneceu parada, a manga na mão, o líquido lambuzando-lhe a cara e pingando dos dedos, fazendo uma poça no chão, e aqueles olhos grudados no homem. Por fim, ele decidiu que não tinha tempo para aquela brincadeira e simplesmente contornou a casa, indo em direção aos fundos.
Tinha assuntos com a mulher havia já uns bons anos. O bairro era cheio de mulheres que prestavam esse tipo de serviço, mas ele mantinha sua fidelidade de freguês bem atendido. E continuou a ser mesmo depois de ter passado três anos fora, no estrangeiro, há muito tempo atrás. Quando retornara à cidade, foi dar com a presença da menina, filha da tal rapariga, que lhe tomou desde a primeira vez um ódio de animal botado pra fora. Mas nem por isso parou de freqüentar a casa. A mulher era de boas curvas, uns peitos cheios e a pele muito escura, porém mais limpa do que era comum naquele lugar. Quando ele chegava, era recebido com um sorriso de dentes tortos e amarelos e ela o chamava de paizinho.
Não deu meia hora, ele afivelava o cinto e botava o chapéu de volta na cabeça. Sua costumeira dose de pinga já estava servida no criado-mudo – uma espécie de cortesia. Ia abrindo o portão quando se lembrou do animalzinho. Ela continuava no seu canto da escada e, se pudesse rosnar, certamente o faria. Naquele instante, uma idéia lhe cruzou a mente, muito veloz, mas não o suficiente para lhe escapar e fugir; ele rapidamente fez as contas de há quanto tempo conhecia a mulher. Bah!, que bobagem! Não fazia sentido. Nos anos que passara fora, lá sabia o que a mulher tinha aprontado por aí? A menina, ainda o mirando, limpou a boca com as costas da mão e depois com o braço inteiro. No entanto, a idéia ficou lhe martelando a cabeça nos segundos que passou parado ao portão observando a menina e tentando encontrar vestígios de si próprio. No fim, por mera consciência, foi até ela que, nesse momento, arregalou os olhos e já ia erguendo os braços para se defender de uma possível surra. O homem deixou cair ao seu lado um pequeno maço de notas baixas.
– Vê se estuda, guria. Sai daqui e vai ser alguém na vida. Te dou um sopapo se te encontrar no portão dando trela pra homem, ouviu bem?
Por via das dúvidas, decidiu não voltar mais. Afinal de contas, havia tantas outras mulheres que prestavam aquele tipo de serviço…
Novo Post sobre Novo Ano 01/01/2011
2010 foi um um ano um bocado bagunçado. Por isso, não vejo razão em fazer uma recapitulação de seus eventos; basta saber que tudo aquilo que ele me trouxe de bom, eu carreguei comigo para este ano.
2011 acena alegremente e já começa muito bem, obrigada! Espero dele apenas que me traga mais alegrias do que tristezas, que mantenha meus bons amigos ao meu lado e meu coração em boas mãos. E, claro, se sobrar espaço, quem sabe um bom papel em um filme? Ah, e espero também que ele traga o The Killers de volta, porque eu me arrependo de não ter ido ao show.
Porém, acho que, tirando este último, todo o resto está bem encaminhado…
E acho que Feist é uma boa primeira dica do ano, não?
Ah, Rita… 28/12/2010
Rita Hayworth em The Lady from Shanghai, 1947
(Um outro excelente acompanhamento: http://www.youtube.com/watch?v=RMiur_5Iq8o , para quem gosta de mulheres canções bonitas)
Passeio pela Avenida Vital 27/12/2010
Subiu os dois degraus e entrou no ônibus. Pouco cheio, graças a Deus. Colocou as moedas na mão do cobrador e girou a catraca oleosa, procurando apenas pelos bancos desocupados – vazio, vazio… vazio. Sentou-se, e o alívio espalhou-se pelo estômago, uma súbita sensação de felicidade que a atingiu como um raio. Quase não conhecia a felicidade plena, mas naquele momento a encontrava, por um completo acaso, em uma criança no banco da frente que lhe lançava um sorriso. Isso porque, já sabia, não lidava bem com crianças. Mas essa… Deus, que criança bonita! Bem, seria exagero dizer que era apenas por causa deste evento. Era tudo, que acumulou-se, transbordou como um rio na enchente. Sentiu-se prestativa, como se houvesse afinal uma finalidade para ela no mundo, à parte de toda a insignificância a que se atribuía. Sentiu-se presente. Fazia calor, e o céu se abria azul azul e quase sem nuvens, e o vento da janela, e a vida que ia passando, junto com as árvores e as pessoas, com seus cães ou suas outras pessoas, e o reflexo deste mesmo céu azul nos carros – havia céu por toda parte.
Conforme o ônibus avançava na ladeira, e a felicidade crescia, o sentimento de catástrofe subia também. Chegava na garganta, mas ela engolia de volta, esperando que as enzimas agissem. Não, passava direto, voltava no refluxo. Catástrofe iminente, na próxima esquina, quem sabe – ai, o ônibus ia virando… Pagava um preço alto pela felicidade: quando se sentia mais alegre, era quando tomava mais consciência da morte. Pagava, de qualquer modo, meio sem opção. Morria, de um jeito ou de outro.
E ali, no ônibus, de repente mirava desconhecidos sem medo de conhecer-lhes a cor dos olhos. Quando um homem subiu e sentou-se ao seu lado, não se moveu nem um centímetro. Não se encolheu à janela, afastando as pernas ou recolhendo o braço. Sentiu, afinal, a pele recoberta de pêlos escuros, suada, o tecido barato da camisa. Era um desses homens de aparência comum, de rosto comum que, sabia, não se lembraria mais quando descesse. Fitava a paisagem absorta, sentindo a felicidade percorrer o corpo, paralela ao reconhecimento de sua infinitude. Achava a felicidade, assim, muito efêmera; durava alguns minutos, algumas horas talvez, e depois com uma brisa voava para longe procurando outro corpo no qual se abrigar – era parasita, era coletiva, era contagiosa. Porém, naquele instante, preferia que fosse assim. Tomara que a morte me leve no momento mais feliz de minha vida!, pensou.
Era uma dessas pessoas que preferia ser trespassada pela vida, como uma lâmina muito fina. Sem paradas no meio do caminho, seu destino era o ponto final.
8 02/12/2010
Queridas,
a felicidade consiste em poder dizer a verdade sem nunca fazer ninguém sofrer.
The right one 02/11/2010
Deixa ela entrar (Lat Den Rätte Komma In/ Suécia, 2008) é a dica deste Dia de Finados, e a de Halloween atrasado. Logo na primeira cena, você percebe que não vai ser um filme peculiar de terror: a fotografia é ótima. Por ser ambientado em um subúrbio de Estocolmo, há muita neve. A paisagem glacial dá o tom frívolo, pálido, que vai contrastar com o vermelho e os escuros cabelos de nossa personagem título. 
Oskar é um tímido menininho de 12 anos, solitário e atormentado pelos colegas de escola, que um dia conhece Eli no pátio de seu prédio. Eli também é solitária, mas muito menos frágil, apesar de seu rosto angelical. Paralelamente à chegada da menina, começam a acontecer assassinatos locais, e enfim se descobre que nada disso é coincidência.
O interessante do filme é que é o primeiro terror que eu já vi decididamente romântico. Fora de todos aqueles clichês que os vampiros carregam, desde a sensualidade exacerbada até o drama que embala o ser-um-vampiro, o filme consegue usar a metáfora de uma forma muito singular e a sensualidade, na verdade, se torna bastante infantil e pura. Eli não é dramática, não é tétrica; é uma menina que conhece bem as dificuldades de sua existência. Oskar, em sua silenciosa dúvida, não se angustia com a identidade da amiga. Ama-a, afinal, deixa-a ir se assim ela quer, mas não deixa de sofrer com seu coração infantil.
O título se refere à incapacidade de Eli de entrar em um cômodo para o qual ela não tenha sido convidada. Desta maneira, o contato próximo com a menina deve ser concedido, permitido. Exige um convite. E Oskar sabe bem que, mais do que chamá-la para além de sua porta, ele também a convoca para sua vida.
É um filme que trata de amor em meio a alguns banhos de sangue. Ou seja, pode agradar eles e elas. E diz que a vida, a morte e o amor não se colocam no preto ou no branco, como a neve e a noite - são todos nuances de cinza. É tudo o que acontece entre.
Home Sweet Home 31/10/2010
Música que me faz sorrir até mesmo diante de um possível domingo cinzento, o que significa muita coisa. Deve ser por me fazer sentir em casa. Ah!, e também porque Anagramas está construindo uma nova Set List…
Him: Jade
Her: Alexander
Him: Do you remember that day you fell outta my window?
Her: I sure do, you came jumping out after me.
Him: Well, you fell on the concrete, nearly broke your ass, you were bleeding all over the place and I rushed you out to the hospital, you remember that?
Her: Yes I do.
Him: Well there’s something I never told you about that night.
Her: What didn’t you tell me?
Him: While you were sitting in the backseat smoking a cigarette you thought was gonna be your last, I was falling deeply, deeply in love with you, and I never told you til just now.

